21.08.2001 - Ailton de Freitas - PA - O senador Jose Sarney em seu gabinete no congresso. - FOTODIGITAL.

A Poesia Perdida de José Sarney

  • A Punctum orgulhosamente apresenta uma coletânea inédita de trabalhos de um grande nome da literatura brasileira.

O Nome do Pai

Desde que me conheço por homem
As línguas me chamam de Sarney
Por outro nome, não me tomem. 
Pois respondê-los não irei.

Por essas terras onde reino,
No alto de meu castelo, o Maranhão.
É o nome que sempre escuto.
Bem melhor do que “Ladrão!”

Pro senado agora hei
Lutar por todos os Sarney
Não sei como hão de me chamar
Tão estranho é ser, José Ribamar.

São Luíz, 1970

Virando a Casaca

Essa Arena anda perigosa
Todo mundo pulando fora
Eu já não vejo a hora
de Me Dar Bem.

Brasília, 1984

O Presidente e o Poeta

Tancredo ficou gripado
Da democracia virou mártir.
E agora ando por todo lado,
Me perguntando: estou preparado
Para me assumir?

Se sou feito da matéria
Dos boêmios e poetas
Lá do norte do Brasil,
Que faço aqui no centro
Caminhando contra o movimento
Dos homens de índole vil?

Nestes momentos de solidão
Me lembro do que dizia –
E sempre repetia! –
Meu pai como oração
“Filho nunca esqueça,
Por mais difícil que pareça,
Os que roubam, só tem dinheiro
Os honestos não”

Brasília, 1985

Cruzado de Direita

Disseram que não podia ser feito,
Disseram que ninguém faria.
Agora os críticos se calam.
Aos meus fiscais, a euforia.
Segura o preço!
Não deixa ele subir!
Ao banco internacional:
Foi Mal aI.

Distribuindo socos e sopapos
Por essa terra sem lei,
Tema, inflação
A fúria de Sarney!

Brasília, 1986

Editado por Bernardo Schmitt, ou caso seja para anotar no processo: Eduardo Quirino

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