Estado, Arte e Moral por Paulo Emmanuel

Antes de começar este texto, devo dizer que aquele vos escreve não tem o hábito de escrever este tipo de ensaio. De modo que, a falta de referência e a inexistência de citações devem ser toleradas, devem ser tolerados também os erros de ortografia e as falhas de pontuação. Não sou um homem letrado e culto, o uso excessivo de álcool e demais drogas nos últimos dias faz com que eu não me preocupe tanto com os detalhes. Também devo adverti-los que não sou um grande conhecedor das artes e, minha família insiste em repetir que desonro e mancho o legado moral que me foi ensinado. Porém, sempre voto nos candidatos derrotados das eleições, isso deve me dar alguma credibilidade para falar sobre o estado. Vale dizer que este texto nasce de uma grande preocupação com a liberdade artística no Brasil atual presidido pelas igrejas evangélicas. A moral, a arte e o Estado são três atividades genuinamente humanas. E com isso, quero dizer que, elas fazem parte daquelas atividades que nos diferenciam dos demais animais. De modo que há um fundo performático artístico naquele que segue religiosamente seus princípios morais, e sempre há algum compromisso moral seja ele qual for por parte daquele que escolhe a arte como forma de se expressar. E o Estado é o corpo organizacional que determina os princípios da nossa sociedade. Quando falo em compromisso moral, estou dando um sentindo bem lato para a expressão, como se cada pessoa pudesse ter seus próprios e únicos princípios. Porém, infelizmente a nossa sociedade não é tão diversa e rica quanto gostaríamos. O que acaba gerando algumas situações desconfortáveis, quando um artista com princípios morais que destoam dos princípios morais do grande público ganha alguma relevância ou visibilidade essas situações desconfortáveis acabam acontecendo. A princípio isso deveria ser normal, como diz aquele velho ditado “Quem gostou bate palma, quem não gostou, paciência”. Nada de novo do que já aconteceu e vem acontecendo na história da humanidade. Afinal de contas, pode ser uma das funções da arte causar essas ocasiões desconfortáveis. De um ponto de vista artístico deve ser valorizada a tentativa do artista de oferecer para o seu público uma outra realidade. E não há nada mais natural para o público do que se sentir incomodado com a nova realidade que se apresenta. Principalmente quando se trata de uma diferente realidade moral, parece que o artista não é apenas um mero humano se expressando, mas o próprio demônio atentando contra a nossa pessoa. Novamente, de um ponto de vista artístico, essa pode ser uma das funções da arte, e o artista deve ser valorizado por isso. É claro, valorizado apenas por especialistas, pois não pode esperar o reconhecimento daqueles que ele mesmo provoca e desrespeita. Como já foi dito nada de anormal, arte principalmente quando é ousada sempre gerou polemica, e não há nada de novo em conservadores tentando censurar aqueles que os desafiam. Porém, nos últimos anos e principalmente depois da eleição do desprezível presidente Jair Messias Bolsonaro, que aqui cito nominalmente para que possamos futuramente responsabiliza-lo pelas desgraças que trouxe ao nosso país. Uma grande onda conservadora, passou a julgar, sabotar, boicotar, e atacar a liberdade artística que ainda se tinha nas terras tupiniquins. O que torna a situação ainda mais grave é quando o presidente da república, principal representante do Estado, incita a população, e usa o poder do Estado para instaurar uma ditadura moral no meio artístico. O caso mais latente e notório desta postura desprezível do Pres. Jair Messias Bolsonaro, foi quando o mesmo comentou que busca a extinção da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Alegando que o estado não poderia patrocinar a produção de filmes como o longa Bruna Surfistinha, lançado em 2011, por não compactuarem com os princípios morais do presidente. O grande ponto é que, Bolsonaro está longe de ser um exemplo moral para qualquer pessoa do nosso país, ele apenas usa de um populismo barato, tenta cair nas graças do povo evangélico. E como a atual moral evangélica brasileira é extremamente reacionária, homofóbica, racista, ou seja, um fascismo transvestido de puritanismo, qualquer declaração que tenda a isto é vista como algo positivo. Porém, estes princípios evangélicos são extremamente incompatíveis com qualquer forma de expressão artística, que tem como único compromisso, ser livre.

Editado por Eduardo Quirino

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