Paisagens da alma

Ana Carla de Brito

Sendo arquiteto por formação, a atuação de Paulo Gaiad como artista plástico foi como que desencadeada após uma pequena viagem de barco. Residindo em Florianópolis desde em1981, no final dessa década ele realizou um passeio junto de amigos em torno da ilha de Santa Catarina passando também pelas ilhas do Arvoredo e do Campeche, onde então pode observar rochas e pinturas rupestres, além de gozar de uma visão privilegiada das orlas desses lugares mediante a navegação de cabotagem. Depois dessa experiência, passou a frequentar oficinas de desenho e litogravura do Centro Integrado de Cultura (CIC), onde durante algum tempo se ocupou em registrar as impressões do passeio. Desde então, mesmo se utilizando de um leque variado de temas, e empregando diversas técnicas e materiais, a fatura de paisagens permanece constante em sua produção.

Impressões de viagem

Viajar para lugares distantes consistia outrora em uma experiência formadora, sendo com essa finalidade uma prática corrente, como bem assinala Jean-Marc Besse ao reproduzir em uma nota de rodapé o verbete da Encyclopédie ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers, de 1780, que disserta sobre o assunto:

Viagem (Educação); Os grandes homens da Antiguidade julgavam que não havia melhor escola de vida que as viagens […]. Hoje em dia, nos Estados civilizados da Europa, as viagens são consideradas, pelas pessoas esclarecidas, um dos componentes mais importantes da educação da juventude, e um componente da experiência entre os mais velhos.[1]

Já em nossa época, as imagens dos lugares nos chegam antes que pisemos em seus solos, multiplicadas nas fotografias de outros viajantes e nos anúncios publicitários das agências de turismo. Em meio ao fractal de imagens, tendemos a ser governados por elas e a reproduzi-las em nossos registros fotográficos. Não raro o lugar é vivido apenas em seu potencial de vitrine, como o documento que atesta o eu também estive ali, e mediante a ansiedade de tudo ver e tudo fotografar.

Quando viajou pela Europa na década de 1990, Paulo Gaiad vivenciou os lugares por onde passou de maneira muito diferente da usual na contemporaneidade, como evidencia a série de textos e pinturas chamada Impressões de viagem, que o artista realizou em 1999, quando já havia retornado ao Brasil. À maneira da baronesa de Macumer[2], que durante uma viagem escreve à sua amiga dizendo que esperará suas impressões tomarem as cores da recordação para então falar delas, Paulo Gaiad aguarda que as suas sejam envelhecidas pela lembrança, e então lhes dá corpo por meio do texto. Logo depois, compõe as pinturas correspondentes.

Em versos livres e linguagem simples, os textos trazem a singularidade dos pensamentos e sensações ocasionados pelo lugar, como sugere, por exemplo, o trecho sobre as estátuas de Dresden (fig. 1), em que estas são evocadas quase como se estivessem vivas ao sussurrarem atos de amor e traição

As estátuas nas sacadas e sobre os edifícios,

parecem participar de uma festa, tomando ar no

intervalo de um baile, guardiãs do tempo,

segredam entre si as histórias mais íntimas dos habitantes do lugar.

Sussurram e sugerem atos de amor e traição.

Aparentemente duras como pedra, se envolvem, se alegram e choram.

As imagens se apresentam em configurações oníricas com manchas de tinta bastante vivas e uma distribuição espacial que rejeita a perspectiva linear, pois a pintura de suas impressões prioriza não a representação de uma paisagem que é contemplada como um conjunto de elementos organizados em um panorama, mas, diversamente, ocupa-se em apresentar os detalhes que capturaram o olho como se flutuassem na superfície do suporte (fig. 2). Suas pinturas sugerem uma vivência do lugar que não se relaciona com a quantidade de localidades célebres visitadas e registradas, mas sim com um saborear da atmosfera que se deixa seduzir por detalhes, como também fica claro em seu testemunho[3] a respeito das coisas de que se lembra: uma igreja, uma rua agitada, pessoas que não estava acostumado a ver, sensações, o vento…

Fig. 1: Paulo Gaiad. As estátuas de Dresden. Pintura, desenho e colagem sobre tela. 1999.

 

Fig. 2: Paulo Gaiad, Stutgart. Pintura, desenho e colagem sobre tela. 1999

Ao pensar uma História da Arte pela clave do detalhe, Daniel Arasse[4] aborda também a pintura de paisagem, no tocante ao modo como o olhar tende a percorrê-la. Segundo ele, a paisagem favoreceria um passeio oscilante entre o conjunto e o detalhe, o que teria sido sinalizado por diversos autores. Um deles foi Diderot, que no Salão de 1767 escreveu sobre uma série de sete paisagens de Joseph Vernet como se estivesse passeando por elas, ressaltando seus pormenores e alternando o olhar distante àquele que se aproxima. Outro exemplo apresentado se refere ao marquês René de Girardin, o criador do famoso parque de Ermenonville, que abriga a sepultura de Jean-Jacques Rousseau. As referências de Girardin ao realizar seus projetos provinham da literatura e da pintura, de modo que seus jardins se assemelhavam a grandes quadros vivos, no interior dos quais ele tinha o cuidado de elaborar outros menores, como uma oferta de detalhes a serem colhidos pelo olhar.

Como viajante Paulo Gaiad apreende o espírito do lugar[5], pois está atento à atmosfera, deixa-se afetar pelas cores, a névoa fria, ou o orvalho que lhe molha os sapatos, ocupa-se em imaginar a ancestralidade do local, como festas e histórias testemunhadas por estátuas, ruínas e reconstruções. Suas Impressões articulam palavra e imagem mediante a invocação das sensações vivenciadas, como pode ser visto na imagem e texto[6] que referenciam o rio Elba (fig. 3). O artista cita os elementos da paisagem que chamam sua atenção: as escadarias do prédio que se encontra do outro lado do rio e os barcos que passam da mesma forma que o tempo; em seguida exprime seu sentimento de que poderia atravessar aquelas águas e pontes, e, da mesma forma, o mundo. Por meio de sua pintura tudo é possível: pensamentos são imagem, imagens são texto, e juntos, texto e imagens são história e vida. Acompanhando esses versos que explicitam o entusiasmo diante da liberdade de possibilidades, a pintura lhes corresponde não como uma ilustração do que foi dito, mas sim como cintilações de formas e cores nas quais podemos reconhecer alguns dos detalhes que capturaram o artista. Em Impressões de viagem o verbo e a imagem testemunham a vivência do mundo e a criação de outro mundo feito de sensações. São, portanto, tão complementares que, nas duas ocasiões em que exibiu a série, o artista expôs as imagens em conjunto com o texto: em Berlim, no ano de 2000, tanto no Instituto Cultural Brasileiro na Alemanha (ICBRA), quanto na Galeria Barsikow.

Fig. 3: Paulo Gaiad. O Elba e Dresden. Pintura, desenho e colagem s/ tela. 1999.

Paisagens interiores

Diversamente de uma representação que os olhos tenham apreendido da realidade física, muitas das pinturas da série Impressões de viagem nos permitem falar de uma paisagem composta pela lembrança do que capturaram os olhos e os sentidos. As demais séries de paisagens produzidas pelo artista partilham dessa característica, no entanto, diferente das Impressões, há em várias de suas paisagens o predomínio de uma atmosfera melancólica, e, por vezes, soturna.

Paisagens sombrias tomam parte da série Fragmentos de um noturno, concebida pelo artista em 2008, a partir da experiência de escuta de um noturno. Após a execução da peça ao piano, Paulo Gaiad pediu uma cópia da partitura manuscrita ao compositor, seu amigo Alberto Heller, e com ela fez pastas partitura (fig. 4), colocando um fragmento do manuscrito do lado esquerdo de uma pasta de papelão, e do lado direito, uma imagem. Os fragmentos de imagens do noturno, que é como o artista denomina essas imagens, são compostos por interiores de edificações (fragmentos da imagem interior), paisagens (fragmentos da imagem exterior), imagens de partes do corpo humano (fragmentos de corpos), e imagens de símbolos gráficos (fragmentos simbólicos).

Fig. 4: Paulo Gaiad. Fragmentos de um noturno, 2008. Fotografia e colagem sobre chapa de ferro oxidada e papelão. 40 x 70 cm.

A série é composta ainda por outros elementos, como as notas perdidas, constituídas por cópias da partitura, cujas notas foram furadas com furadeira elétrica; as oitavas fugidias, que são agrupamentos de teclas retiradas do teclado de um piano e que dispõem as teclas correspondentes ao intervalo de oito graus entre duas notas de mesmo nome; e, por fim, os porta-fragmentos: móveis de madeira escura com detalhes em vidro e com compartimentos para abrigar os itens citados. Como os demais fragmentos de imagens do noturno, as paisagens apresentam um delicado equilíbrio entre luz e sombra, predominando os tons escuros: negro, castanhos e esverdeados. Como lembranças de um passado remoto, as imagens parecem, por vezes, fora de foco ou borradas, e encontram-se corrompidas pela oxidação do metal que lhes dá suporte, e em algumas delas tais avarias chegam a dificultar a distinção dos elementos constitutivos de sua topografia (fig. 5). Semelhantemente às imagens, os manuscritos presentes nas pastas partitura encontram-se também desgastados e esfacelados. Percebe-se, portanto, que em Fragmentos de um noturno Paulo Gaiad traça uma correspondência entre sonoridade e visualidade, mostrando-as descontínuas e desgastadas, e espelhando a obscuridade de uma na outra. Assim como a alma melancólica poderia se identificar com um noturno e ser mobilizada por ele, as paisagens participam do tormento interior, e sua dramaticidade é como que fomentada por ele.

 

Fig. 5: Paulo Gaiad. Fragmentos de um noturno, 2008. Fotografia e colagem sobre chapa de ferro oxidada e papelão. 40 x 70 cm.

No ano anterior, em 2007, o artista havia feito vários estudos de luz e sombra. Em alguns deles, o uso de pó de ferro oxidado conferiu tons de castanhos fortes e propiciou bastante contraste com as parcelas superiores de densos brancos; já em outros estudos, os tons cinérios e brancos diluídos trouxeram uma obscuridade feita de luz, como nos momentos que antecedem a tempestade e os vapores densos refletem uma luz difusa e débil (fig. 6).

A melancolia poderia, por vezes, ser caracterizada pela dramaticidade dessa luminosidade apática da qual se avizinham nuvens carregadas de trevas. Como neste quadro, algumas das paisagens de Paulo Gaiad sugerem a inquietude de uma alma deslocada e exilada, como se não houvesse um lugar que lhe fosse próprio, e, à semelhança do personagem de Baudelaire no poema Os favores da lua, esta lhe tivesse apertado a garganta fazendo com que ele conservasse para sempre a vontade de chorar, e passasse a amar o silêncio e a noite, o mar imenso e verde, a água informe e multiforme, e o lugar em que não está.[7]

Fig. 6: Paulo Gaiad. A tempestade, da série Estudos de luz e sombra, 2007. Técnica mista: fotografia, pintura, e colagem sobre tela. 60 x 120 cm.

Tanto nas paisagens de Fragmentos de um noturno, quanto na pintura A tempestade, o artista se utilizou de detalhes de fotografias para criar uma topografia singular, sendo que nesta (fig. 6) os montes são compostos pelo dorso da vaca que o artista fotografou e fez parte da série O atestado da loucura necessária (2003-2008). Trata-se de um procedimento que lhe é recorrente: ele saca imagens da internet ou compra fotografias antigas em feirinhas de antiguidade, e do seu espólio recorta fragmentos e os combina, seja com outras parcelas surrupiadas, ou justapondo-os a pinturas e outros procedimentos que executa. Através desse gesto que desconhece fronteiras entre a imagem criada e a apropriada, o lugar visitado e o sonhado, ele reencena o ato criativo imaginado por Jean-Luc Nancy quando o primeiro pintor, ao aplicar o pigmento na parede da caverna, abre uma distância que suspende a continuidade e a coesão do universo, para abrir um mundo[8]. Paulo Gaiad abre outro mundo criando lugares onde sua alma possa habitar: qualquer lugar desde que fora deste mundo[9].

Clausura e ponto de fuga

Outras paisagens que evidenciam de maneira contundente o embaralhamento entre exterior e interior são encontradas na série As paredes que me cercam, produzida entre 2003 e 2007. Nesses trabalhos, Paulo Gaiad se utiliza de fotografias tiradas por ele mesmo no Campeche, bairro de Florianópolis onde reside. Mais uma vez, ao invés de se propor a construir a semelhança com o lugar, de uma maneira que o represente e o identifique, é a intensidade de sua experiência que aparece nas composições. Nos quadros são combinados detalhes das fotos, cimento, massa corrida e tinta acrílica diluída. Por vezes a tinta aguada continua sutilmente o contorno das elevações (fig. 7), porém, ainda que tenda a se espraiar, o relevo da tela é escoriado com intervenções mais brutas, evidenciando sua condição de superfície e interferindo na ilusão de profundidade. O quadro se torna uma parede cujo desgaste acentua ainda mais sua solidez. Na quarta paisagem da série, As paredes que me cercam IV (fig. 8), esse aspecto é intensificado por uma espécie de moldura pintada em um tom de castanho escuro, que, envolvendo uma área de cor homóloga mais clara, conduz o olhar para a próxima barreira, que são os montes ao fundo. Em outros quadros da série há ainda o acréscimo de tronco e galhos de árvores como mais uma barreira, um outro tipo de parede.

Fig. 7: Paulo Gaiad. As paredes que me cercam III, 2003 – 2007. Acrílica, fotografia, cimento e massa sobre tela. 200 x 140 cm.

Fig 8: Paulo Gaiad. As paredes que me cercam IV, 2003 – 2007. Acrílica, fotografia, cimento e massa sobre tela. 200 x 140 cm.

A paisagem que se estende para além das janelas do artista, que envolve sua casa, acolhe seu olhar quase cotidianamente e se mistura com as sensações e lembranças domésticas, é pintada nessas imagens como um elemento de contenção, um muro que aprisiona e oprime. Em As paredes que me cercam a paisagem impõe um limite impedindo que se olhe adiante. Mesmo no quadro Noturno (fig. 9), as massas de ar são pesadas, e os frames enquadram nuvens que velam o que haveria para ver. Como a janela do escrivão Bartleby[10], que dava para um muro, essas aberturas apenas reiteram o confinamento. Não há fresta por onde escapar.

Fig. 9: Paulo Gaiad. Noturno da série As paredes que me cercam, 2003 – 2007.

Acrílica, fotografia, cimento e massa sobre tela. 200 x 140 cm.

Pintar uma paisagem praiana que inclui dunas e montes como se estivesse representando um muro ou parede é uma maneira muito particular de olhar para ela, aludindo, pois, à forma como o artista sente a intensidade do lugar que é cenário dos seus dias. Ainda que duas paisagens de outra série tenham aspecto semelhante, é possível perceber diferenças substanciais em relação às Paredes. Em Céu de Delft I (fig. 10) a parede é como que um obstáculo que antecede o ponto de fuga: cerca de três quartos da tela estão encobertos por tonalidades amarronzadas e apresentam ranhuras que lhe dão um aspecto gasto, no entanto, essa grande barreira não oblitera completamente o olhar. No alto da pintura a silhueta de um edifício ergue-se imponente, tendo ao seu lado casarios e postes antigos, enquanto logo atrás há um céu luminoso, cujas grandes nuvens permitem entrever espaços de céu azul, o céu de Delft, como assinala o título. Colocado bem acima do obstáculo, o céu comparece como uma espécie de fenda: é o ponto de fuga, no sentido de que é para lá que o olhar se dirige procurando escapar. Assim, mesmo que as edificações em contraluz se interponham ao olhar, elas parecem indicar que há algo além, algo que pode ser acessado. A possibilidade de ultrapassar o bloqueio é o que estabelece a sutil diferença com relação às Paredes: são mais obstáculo do que prisão, impedem, mas não confinam.

Fig. 10: Paulo Gaiad. Céu de Delft II,da série Estudos de luz e sombra. 2007.

Técnica mista: fotografia, pintura, e colagem sobre tela. 200 x 140 cm

Mediante o caminho percorrido até aqui, pode-se perceber que para Paulo Gaiad, pintar uma paisagem pode ser uma forma de comungar com o espírito de um lugar estrangeiro, o urdimento de um mundo de melancolia ou a edificação de paredes. Paredes essas que, para o artista, já estavam lá, nos montes que cercam a praia ou na atmosfera densa que paira entre as elevações e o mar, e que ele apenas evidencia. Se em todos esses anos de profícua produção, a paisagem se constitui no gênero de que o artista se ocupa continuamente, talvez isso se deva à questão de que, ao compor uma paisagem, Paulo Gaiad pinta sua própria alma.



[1] Besse, Jean-Marc. Ver a Terra: seis ensaios sobre a paisagem e a geografia. São Paulo: Perspectiva, 2006, p. 43.

[2] Uma das protagonistas do romance de Balzac Memórias de duas jovens esposas.

[3] Os depoimentos atribuídos ao artista se referem às suas falas nos encontros da disciplina Arqueografias da presença.

[4] Arasse, Daniel. Le Détail. Paris: Flammarion, 2006.

[5] A noção de espírito do lugar se remete ao genius loci, ou gênio do lugar, cuja origem é anterior aos romanos, provavelmente etrusca. De acordo com Spalding (Spalding, Tassilo Orpheu. Dicionário da mitologia latina. São Paulo: Cultrix, 1972, p. 66), os gênios, nessas civilizações, eram tidos como entidades tutelares, que dariam o ser e o movimento a tudo o que existe. Não apenas os homens, como também os impérios, cidades, e lugares tinham gênios tutelares. Nesse último caso ele era chamado genius loci. Contemporaneamente a expressão adquiriu uma conotação mais próxima da fenomenologia, referindo-se à atmosfera do lugar, e ao modo como esta é experienciada por alguém.

[6] Este é o texto correspondente à pintura O Elba e Dresden:

A visão além do rio Elba. As escadarias daquela residência monumental.

Barcos passando, o tempo passando, daqui a pouco tenho que ir embora.

Posso caminhar sobre as águas, posso cruzar as pontes,

posso cruzar o mundo e ir para onde eu quiser. Eu

pinto, e quando pinto tenho o poder de transformar

pensamentos em imagem, imagem em texto, texto e

imagem são história, e história é vida.

Tenho muitas histórias.

[7] Baudelaire, Charles. Pequenos poemas em prosa. São Paulo: Hedra, 2011, p. 187.

[8] Nancy, Jean-Luc. Las musas. Buenos Aires: Amorrortu, 2008, p. 107.

[9] Baudelaire, op. cit., p. 225.

[10] Bartleby, o escrivão é o protagonista do romance homônimo de Herman Melville.

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